Durante a escolha dos
países para falarmos sobre a imigração de seus habitantes no Brasil,
escolhi a Dinamarca. Sobre a imigração dinamarquesa no Brasil pouco se fala e
pouco se sabe sobre ela nos registros. É muito importante citarmos sobre ela
principalmente quando se trata da região do interior paulista, mais
especificamente em Piracicaba. Christiano Matthiessen, um imigrante
dinamarquês, veio para o Brasil em busca de terras para lavoura. Nesta ocasião,
Christiano Matthiessen prospectava terras e foi à Piracicaba a convite do amigo
Dr. Prudente de Morais; conheceu as terras onde hoje se localiza a Fazenda
Capuava e se encantou com as mesmas, lembrando muito sua terra natal pelo fato
de serem planas e propícias à agricultura.
Prudente de Morais, que foi o primeiro presidente civil da Primeira República e ao lado a Fazenda Capuava (Fonte das imagens:
Fundou então, em 1886, a Fazenda
Capuava, onde iniciou suas atividades com inovações e técnicas modernas na
fabricação de peças de madeira pelos imigrantes dinamarqueses que
costumeiramente tomavam AQUAVIT, um destilado de origem escandinava, produzida
a partir da destilação de batatas ou de cereais e redestilada com
aromatizantes. Como no Brasil não havia esta bebida, estes imigrantes iniciaram
a plantação de cana-de-açúcar, objetivando a produção de um destilado
alcoólico. Assim iniciou-se a fabricação da Primeira Cachaça Artesanal da
região de Piracicaba. Com o excelente solo e clima propício foi com a
cana-de-açúcar que a Fazenda Capuava encontrou sua vocação.
Capucana - Cachaça artesanal produzida na Fazenda Capuava (Fonte da imagem: www.capucana.com)
Quando falamos em Dinamarca é importante
citarmos sobre o dinamarquês Hans Brøchner Misfeldt, escritor de histórias
infantis.
Talvez Andersen não se
sentisse muito confortável por ter-se tornado famoso como autor de contos de
fadas. Antes tivera uma extensa e ambiciosa produção literária escrevendo
romances “sérios”, que hoje já não são lidos, e com eles já havia conquistado a
Europa. Mas foi com o gênero chamado conto de fadas que conquistou o mundo.
Como define bem o escritor brasileiro de origem dinamarquesa Per Johns, conto
de fadas em escandinavo é eventyr ou äventyr, literalmente uma aventura, com o
significado de viagem, “a viagem de uma vida – de rumo incerto, mas fascinante.
Abarca tanto a pura narrativa de um acontecimento fantástico como o périplo do
espírito que sai mundo afora em busca do destino, em vez de esperar que ele
chegue. O que equivale a dizer: ou se vive uma vida como uma aventura que se
renova a cada dia, ou não vale a pena vivê-la.”
Devemos encarar suas
histórias sob esse ponto de vista. Cada conto é uma aventura em que o ser
humano se desprende de suas limitações para assumir o próprio destino, mesmo
com todos os riscos que essa possibilidade apresenta.
Em muitos de seus contos
está presente essa viagem e aventura. Não é à toa que Andersen foi considerado o precursor da literatura mundial, e em virtude disso no dia que marca seu nascimento, 2 de abril, é comemorado também o Dia Internacional da Literatura Infanto-Juvenil. Além disso, o mais importante prêmio internacional de gênero, o Prêmio Hans Christian Andersen, tem seu nome.
(Fonte da imagem: closetedmonster.wordpress.com e edição realizada por mim)
Influência Dinamarquesa na Culinária do Brasil
Um fato importante da história foi a imigração de
dinamarqueses para Minas Gerais, onde montaram as primeiras fábricas de
queijos finos do país em 1920 como o roquefort, gruyére e gorgonzola, que eram
transportados até as estações de trem no lombo de burros em jacás de bambu
forrados com palha de bananeira.
Foram os dinamarqueses quem criaram o queijo prato assim
chamado por ter o formato de um prato de comida que mais tarde teria o
formato retangular para facilitar o corte em fatias para uso em
sanduíches.
(Fonte da imagem: cartoondealer.com e edição realizada por mim)
Receita do Queijo Prato
- Leite: filtrado, padronizado, pasteurizado acidez 15 a 18ºD
- Gordura: 3,4 a 3,6%.
- Fermento lático: Fermento mesofílico à base de Lactococcus lactis subsp. lactis e Lactococcus lactis subsp. cremoris. O fermento pode ser na forma para uso direto (dvs).
- Cloreto de cálcio (sol. 40% m/m): 40 a 50 ml para 100 litros de leite.
- Corante Natural de Urucum: dosagem de 8 a 10 ml para cada 100 litros de leite.
- Nitrato de Sódio (Salitre do Chile): dosagem de 20 gramas para cada 100 litros de leite (prevenção de estufamento tardio).
- Temperatura adição do coagulante: 34 a 35ºC.
- Coagulante Quimase na dosagem de 20 ml para cada 100 litros de leite.
- Tempo de coagulação: 35 a 50 minutos.
- Corte: lento.
- Grão: 3, grão de milho (lira vertical e horizontal).
- Repouso: 3 minutos.
1ª Mexedura e delactosagem: 20 minutos. Retirar 30 a 35% de
soro e adicionar água a temperatura de 75ºC, lentamente, até que atinja a temperatura
de 41 a 42ºC (normalmente utiliza-se de 15 a 20% de água na sua totalidade). A
partir deste momento a mexedura deve ser intensificada com macalé ou garfo.
Prosseguir a mexedura até o ponto evitando quebra excessiva
dos grãos ou formação de aglomerados dos mesmos.
Ponto: em torno de 80 a 90 minutos (após o corte), com os
grãos apresentando determinada característica de consistência. Após o ponto remove-se a massa para à
extremidade oposta à saída do tanque.
Dessoragem: pré prensa-se com soro.
Pré prensagem: com peso igual a 2 vezes mais ao peso da
massa (podendo ser manual ou pneumática) por 15 a 20 minutos.
Enformagem e prensagem: após a pré-prensagem proceder a
enformagem com as formas específicas e com dessoradores.
Para formas com dessoradores apropriados faz-se uma
prensagem direta de 90 a 120 minutos com peso dez vezes superior ao peso de
cada queijo (queijo de 1 quilo = 10 quilos de peso). Em prensa pneumática
utilizar 35 a 40 lbs/pol². Para dessoradores de panos, após 20 minutos de
prensagem, fazer uma viragem dos queijos e acertar os panos para que não
marquem demasiadamente os mesmos.
Fermentação: deixamos que os queijos permaneçam nas prensas
até o dia seguinte (sem peso) devendo-se fazer o “toillet” (retirar rebarbas e
prensar sem dessorador para eliminar suas marcas). O pH deve estar na faixa de 5,00 a 5,20 (massa).
Desmineralização controlada.
Salga: Em salmoura (temperatura de 10 a 12ºC com 19 a 21% de
sal, pH de 5,00 a 5,30). Tempo variável em função do tamanho dos queijos:
Queijo de 2 quilos = 36 a 48 horas
Queijo de 1 quilo = 18 a 24 horas
Queijo de ½ quilo = 6 a 8 horas
Secagem: Após a salmoura os queijos deverão secar por 24 a
48 horas, umidade de 80 a 85%. Após a secagem embalar em embalagem à vácuo e
mantê-los numa temperatura de 10 a 12ºC. Depois de 25 a 30 dias, destinar para
câmara de estocagem final com temperatura máxima de 5ºC. Embalado à vácuo sob
refrigeração durabilidade de até 6 meses.
Fonte da imagem:
Para fazer download de uma apresentação no Power Point realizado por mim sobre a imigração dinamarquesa no Brasil, basta clicar aqui.






