Arquitetura Clássica Romana
A arquitetura romana foi bastante influenciada pelos gregos,
em especial pelos templos, pelo realismo e pela preocupação com a beleza.
Também foi direcionada pelo espírito guerreiro e prático dos próprios romanos.
Suas conquistas eram celebradas com esculturas, monumentos, obeliscos e arcos
de triunfo. Mas as principais marcas deixadas pelos romanos foram as estradas
construídas em linha reta — para facilitar o deslocamento rápido das legiões de
guerreiros — e os aquedutos para abastecer e desenvolver as colônias romanas
espalhadas pelos territórios conquistados.
Os templos romanos foram o resultado de uma combinação de
elementos gregos e etruscos: planta retangular, teto de duas águas, vestíbulo
profundo com colunas livres e uma escada na fachada dando acesso ao pódio, ou
base. Além das tradicionais ordens gregas - dórica, jônica e coríntia - os
romanos inventaram outras duas: a toscana, uma espécie de ordem dórica sem
estrias na fuste, e a composta, com um capitel criado a partir da mistura de
elementos jônicos e coríntios. A Maison Carrée, da cidade francesa de Nimes (c.
16 d.C.), é um excelente exemplo da tipologia romana templária.
Devido à cobertura de cinza depositada após a erupção do
Vesúvio em 79 a.C. a cidade de Pompéia permaneceu enterrada durante mais de
1.500 anos. Dessa forma ela remanesceu como um importante exemplo de uma cidade
romana, sendo escavada por arqueólogos no século XVIII. Entre os restos
encontrados, encontra-se o Foro, templos, tribunais e palácios que constituíam
o centro administrativo da cidade.
Os teatros e os anfiteatros romanos
apareceram pela primeira vez no final do período republicano. Diferentemente
dos teatros gregos, situados em declives naturais, os teatros romanos foram
construídos sobre uma estrutura de pilares e abóbadas e, dessa maneira, puderam
ser instalados no coração das cidades. Os teatros de Itálica e de Mérida foram
realizados nos tempos de Augusto e de Agripa, respectivamente. O mais antigo
anfiteatro conhecido é o de Pompéia (75 a.C.) e o maior é o Coliseu de Roma
(70-80 d.C.). Na Hispânia romana, destacam-se os anfiteatros de Mérida,
Tarragona e Itálica. Os circos ou hipódromos também foram construídos nas
cidades mais importantes; a praça Navona de Roma ocupa o lugar de um circo
construído durante o reinado de Domiciano (81-96 d.C.).
Coliseu de Roma (Fonte da imagem: beforetomorow.tumblr.com)
Entre os diversos projetos de construções públicas dos
romanos, a rede de pontes e calçadas, que facilitaram a comunicação através de
todo o império e os aquedutos, que levavam água às cidades a partir dos
mananciais próximos (como Pont du Gard, ano 19 d.C., próximo a Nimes), são os
mais extraordinários.
Os romanos usaram
como inspiração a arquitetura etrusca e grega para desenvolver seus projetos.
Porém, não podemos falar em cópia, pois a arquitetura romana possuía muitos
elementos inovadores e avanços nas técnicas de arquitetura.
Características principais da arquitetura romana
- Solidez nas construções (característica que herdaram dos etruscos);
- Uso do arco nas construções;
- Uso da abóbada (construção em forma de arco que preenche espaços entre arcos, muros e outros tipos de espaços);
- Construções sóbrias, funcionais e luxuosas
(Fonte da Imagem: umolharsobreaart.blogspot.com.br)
A decoração usada pelos romanos para adornarem as suas
construções pautou-se pelo barroquismo, ao preferirem a profusão e o exagero
ornamental ao equilibrado e simples sentido estético dos gregos. Utilizaram os
elementos gregos tais como colunas, entablamentos e frontões, como meras
"peças" decorativas, sem qualquer função estrutural, inovando-as ao
alterarem as suas formas e proporções; criaram ainda duas novas ordens: a toscana,
semelhante à ordem dórica na sua aparência, mas sem as caneluras no fuste e com
uma base circular, e a compósita, um misto da ordem jônica e coríntia, visível
no capitel da coluna decorado com volutas e folhas de acanto.
(Fonte da imagem: umolharsobreaart.blogspot.com.br)
Principais tipos de arquitetura romana
- Arquedutos: Arcos com canaletas que conduziam a água dos reservatórios para as cidades. Eram feitos de pedra e significou um avanço na canalização e distribuição de água na Antiguidade.
Pont de les Ferreres, Tarragona, Espanha - Também conhecida,
em catalão, como Pont del Diable, a estrutura tem 249 m de comprimento e é
parte do aqueduto romano de Tárraco, que fornecia água do rio Francolí para a
cidade de Tarragona, em um percurso de cerca de 15 km. A data de sua construção
é incerta, mas cogita-se que tenha sido erguido no século 1º d.C. Funcionou até
o fim da Idade Média e, desde o século 18, passou por uma série de obras de
restauro. (Fonte da imagem: casavogue.globo.com)
- Templos: Eram construídos em homenagem aos deuses. Eram luxuosos e
bem iluminados. Possuíam apenas um portal de entrada com escada de acesso.
(Fonte da imagem: umolharsobreaart.blogspot.com.br)
- Arcos de Triunfo: Eram construídos em homenagem aos imperadores, principalmente, para marcar grandes feitos e conquistas. Eram feitos de pedra ou mármore.
(Fonte da imagem: adriarq.blogspot.com)
- Estradas: Feitas de pedra, eram importantes rotas para o comércio e também deslocamento do exército, pois ligavam várias cidades, regiões e províncias. Eram tão resistentes que muitas delas existem até hoje. A mais conhecida foi a Via Ápia.
(Fonte da imagem: peramblogando2.files.wordpress.com)
- Banhos Públicos: Prédios destinados aos banhos públicos, que eram espaços com
piscinas aquecidas onde romanos das altas classes relaxavam e mantinham
contatos sociais.
(Fonte da imagem:
Império Bizantino tinha sua capital em Bizâncio (atual
Istambul - Turquia), nome que precedeu o nome Constantinopla, em homenagem ao
imperador romano Constantino, que a fundou como segunda sede do Império Romano,
enquanto este chegava à sua decadência.
Após a queda de Roma, Constantinopla foi por quatrocentos
anos a maior cidade do mundo e foi a capital do império que resistiu por um
milênio, entre os séculos V e XV, enquanto a Europa ocidental vivia o período
da Idade Média.
A arquitetura
bizantina caracteriza-se fortemente por mosaicos vitrificados e pelos ícones,
que eram pinturas sacras feitas normalmente sobre madeira. O estilo bizantino
também tinha como destaque técnicas de construção inovadoras para a época, em
especial, as voltadas para a construção de cúpulas, que surgiram por volta do
século VI.
O Mosaico foi um tipo
de arte muito difundido no Império Bizantino, principalmente durante o reinado
do imperador Justiniano de 526 a 565. As imagens em mosaico eram formadas a
partir de pequenos pedaços de pedra coloridos, colados nas paredes.
(Fonte da imagem: infoescola.com)
Como boa parte da arquitetura antiga, também a bizantina
caracterizava-se pelas obras de cunho religioso. A Catedral de Santa Sofia
tornou-se o maior símbolo desse estilo arquitetônico. Outros exemplos das
primeiras obras bizantinas são a basílica de São João e a basílica dos Santos
Sérgio e Baco. Inspirada e guiada pela religião, a arquitetura alcançou sua
expressão mais perfeita na construção de igrejas. E foi precisamente nas
edificações religiosas que se manifestaram as diversas influências absorvidas
pela arte bizantina. Houve um afastamento da tradição greco-romana, sendo
criadas, sob influência da arquitetura persa, novas formas de templos,
diferentes dos ocidentais. Foi nessa época que se iniciou a construção das
igrejas de planta de cruz grega, coberta por cúpulas em forma de pendentes, conseguindo-se
assim fechar espaços quadrados com teto de base circular.
(Fonte da imagem: intensecare.wordpress.com)
Segundo René Guénon, toda construção religiosa possui uma
significação cósmica. Este princípio se aplica sem dúvida alguma à arquitetura
cristã em geral, e à bizantina em particular.
Aqui chama a atenção na arquitetura bizantina, em especial,
o significado místico que se encontra presente em um elemento específico: a
cúpula.
Esta, como podemos constatar, não é apenas um elemento
arquitetônico decorativo, pois corresponde à concepções estéticas fundamentadas
em um simbolismo preciso.
Ela representa o céu e sua base a terra, assim, o edifício completo
representa uma imagem do cosmos.
A cúpula é originária da Ásia Menor, cujos povos, que sempre
se distinguiam como arquitetos, recorreram ao expediente de suspendê-la sobre
uma construção quadrada ou pousaram-na diretamente em construções circulares.
Os persas imaginaram outra alternativa, colocando sobre a base quadrada uma
cúpula octogonal. A solução encontrada pelos persas para a colocação de cúpula
sobre uma construção quadrada foi o abandono da forma circular para base e a
adoção da forma octogonal, sobre a qual se erguia a cúpula, já não totalmente
redonda, mas facetada em oito "triângulos" curvos.
Os arquitetos bizantinos mantiveram o formato arredondado
não colocando o tambor (grande arco circular sobre o qual se assenta a cúpula)
diretamente sobre a base quadrada: em cada um de seus lados ergueram um arco,
sobre os quatro arcos colocaram um tambor e, sobre este, com simplicidade e segurança,
a cúpula. Os arquitetos bizantinos conseguiram apor a uma construção quadrada uma
cúpula arredondada, com o uso do sistema de pendentes, "triângulos"
curvilíneos formados dos intervalos entre os arcos e que constituíam a base
sobre a qual era colocado o tambor.
A primeira imagem trate-se de uma cúpula persa e a segunda de uma cúpula bizantina. (Fontes das imagens: valiteratura.blogspot.com)
Arquitetura Românica
Arquitetura Românica
A definição da arquitetura enquanto "Românica" se
refere às semelhanças existentes entre as construções típicas do final do séc.
XI e XII na Europa e as estruturas abobadadas a de grossas paredes de alvenaria
dos antigos romanos (séc. I e II). Enquanto no Oriente bizantino e muçulmano a
arquitetura se desenvolve de maneira magnificente, no Ocidente o progresso no
campo das criações mantêm-se estagnada: falta de tempo, falta de tranquilidade,
escassez de recursos. Assistimos a luta inaudita, a procura incansável de um
sistema estrutural seguro, de fácil construção e dotado de beleza, que tinha de
ser condicionado à realização por via de um material contraindicado sob todos
os aspectos: a pedra. A designação “Românica” surgiu no séc. XIX e significava
"semelhante ao romano".
A utilização das abóbadas era frequente. A unidade estrutural
era composta pelas aduelas, uma série de blocos de pedra em forma de cunhas. O
arco vence um vão maior que o lintel (peça dura de materiais diversos), sendo necessário menos suportes, uma
grande vantagem para os construtores cristãos que procuravam o mínimo de
obstruções internas no interior das igrejas. O arco e a abóbada são os
elementos mais importantes do sistema construtivo dessa arquitetura. O arco
aumentaria as larguras das passagens entre as colunas, e as abóbadas supriam a
deficiência originária das dificuldades de serem cobertas grandes áreas de
reuniões e práticas rituais. No início, somente as absides (ala de um edifício que normalmente é religioso) eram abobadadas. O
templo românico era uma cruz latina, composta por uma nave (ala central de uma igreja ou catedral onde se reúnem os fiéis de modo a assistirem o serviço religioso) longitudinal e um
cruzeiro (local de intersecção dos eixos).
(Fonte da imagem:
Dentre as desvantagens da abóbada de berço podemos citar: a
distribuição de cargas ao longo de duas linhas paralelas contínuas, produzindo
grandes empuxos laterais que deveriam ser eliminados por meio de paredes muito
grossas e bem construídas; as colunas eram muito delicadas pois somente
suportavam a sobrecarga do telhado; a coluna alta apresenta vários
inconvenientes, por isso os arquitetos romanos as construíam grossas e baixas.
O resultado era a pouca altura da nave que não permitia que ela fosse bem iluminada,
resultando em igrejas muito escuras.
Abóboda de berço e abóboda de aresta (Fonte da imagem: lealuciaarte.blogspot.com)
Outro problema estrutural românico foi a cobertura do
cruzeiro que é o quadrado central oriundo do cruzamento da nave central e o transepto (parte transversal de uma igreja que se estende para fora da nave central, formando com esta uma cruz). Na arquitetura bizantina foi solucionado o problema com uma cúpula
sobre base quadrada, utilizada com o emprego de elementos de contraventamento.
Outra forma de serem anulados os empuxos laterais das abóbadas de berço, era a
interseção de duas delas, propiciando a descarga em apenas quatro pontos
separados. Assim foi inaugurada nestes templos a chamada abóbada de arestas.
Outra novidade foi o contraforte ou gigante, às vezes substituído por tirantes.
Os materiais mais diversos eram empregados em diferentes lugares, sendo a pedra
o mais preferido, depois o mármore e depois o tijolo. Apesar de ser melhor
utilizada em função da liberdade e leveza estrutural, a construção da abóbada
de arestas se torna complicada para espaços que não tenham um planta quadrada.
Essas duas formas, a abóbada de berço e a abóbada de arestas foram utilizadas
na grande maioria das igrejas românicas. Visualmente transmitem a sensação de
solidez, calma e repouso, de ausência de esforço ou tensão.
Abóbadas de Aresta em Arcos, próprio do Estilo Românico, pertencente também a um Templo de Médio Porte. (Fonte da imagem:
A primeira coisa que chama a atenção nas igrejas românicas é
o seu tamanho. Elas são sempre grandes e sólidas. Daí serem chamadas:
fortalezas de Deus. A explicação mais aceita para as formas volumosas,
estilizadas e duras dessas igrejas é o fato da arte românica não ser fruto do
gosto refinado da nobreza nem das ideias desenvolvidas nos centros urbanos, é
um estilo essencialmente clerical. A arte desse período passa, assim a ser
encarada como uma extensão do serviço divino e uma oferenda à divindade. A mais
famosa é a Catedral de Pisa sendo o
edifício mais conhecido do seu conjunto
o campanário que começou a ser construído em 1174. Trata-se da Torre de
Pisa que se inclinou porque, com o passar do tempo, o terreno cedeu.
Catedral e Torre de Pisa (Fonte da imagem: megacurioso.com.br)
O período românico
foi de transição. Os templos pediam mais luz, maiores proporções e mais
inspiração. A tradição românica não falava a favor de grandes alturas e nem de
paredes delgadas, vazada por grandes aberturas, uma vez que se apoiavam em um
sistema de arcos a abóbadas solicitadas a violentíssimos esforços. Era
necessário substituir ou aperfeiçoar aqueles dois elementos medulares, que eram
o arco e a abóbada, que foi finalmente conseguido escorando-se lateralmente o
arco por outro arco (arco botante) e reforçando-se as arestas das abóbadas com
nervuras, que na realidade passam a suportar todo o peso da cobertura. Estas
nervuras descarregam em vários pilares ou colunas finas que rodeavam uma mais
larga, que suportava maior carga, resultando na esbeltez dos feixes góticos de
varas de pedra.
Fachada românica da Sé Velha de Coimbra (Fonte da imagem:snpcultura.org)
























