segunda-feira, 30 de maio de 2016

Estilos Arquitetônicos: Romano, Bizantino e Românico

Arquitetura Clássica Romana

A arquitetura romana foi bastante influenciada pelos gregos, em especial pelos templos, pelo realismo e pela preocupação com a beleza. Também foi direcionada pelo espírito guerreiro e prático dos próprios romanos. Suas conquistas eram celebradas com esculturas, monumentos, obeliscos e arcos de triunfo. Mas as principais marcas deixadas pelos romanos foram as estradas construídas em linha reta — para facilitar o deslocamento rápido das legiões de guerreiros — e os aquedutos para abastecer e desenvolver as colônias romanas espalhadas pelos territórios conquistados.

Os templos romanos foram o resultado de uma combinação de elementos gregos e etruscos: planta retangular, teto de duas águas, vestíbulo profundo com colunas livres e uma escada na fachada dando acesso ao pódio, ou base. Além das tradicionais ordens gregas - dórica, jônica e coríntia - os romanos inventaram outras duas: a toscana, uma espécie de ordem dórica sem estrias na fuste, e a composta, com um capitel criado a partir da mistura de elementos jônicos e coríntios. A Maison Carrée, da cidade francesa de Nimes (c. 16 d.C.), é um excelente exemplo da tipologia romana templária. 
Templo Romano Maison Carrée (Fonte da imagem: arsalive.blogspot.com.br)

Devido à cobertura de cinza depositada após a erupção do Vesúvio em 79 a.C. a cidade de Pompéia permaneceu enterrada durante mais de 1.500 anos. Dessa forma ela remanesceu como um importante exemplo de uma cidade romana, sendo escavada por arqueólogos no século XVIII. Entre os restos encontrados, encontra-se o Foro, templos, tribunais e palácios que constituíam o centro administrativo da cidade. 
Os teatros e os anfiteatros romanos apareceram pela primeira vez no final do período republicano. Diferentemente dos teatros gregos, situados em declives naturais, os teatros romanos foram construídos sobre uma estrutura de pilares e abóbadas e, dessa maneira, puderam ser instalados no coração das cidades. Os teatros de Itálica e de Mérida foram realizados nos tempos de Augusto e de Agripa, respectivamente. O mais antigo anfiteatro conhecido é o de Pompéia (75 a.C.) e o maior é o Coliseu de Roma (70-80 d.C.). Na Hispânia romana, destacam-se os anfiteatros de Mérida, Tarragona e Itálica. Os circos ou hipódromos também foram construídos nas cidades mais importantes; a praça Navona de Roma ocupa o lugar de um circo construído durante o reinado de Domiciano (81-96 d.C.).

Coliseu de Roma (Fonte da imagem: beforetomorow.tumblr.com)

Entre os diversos projetos de construções públicas dos romanos, a rede de pontes e calçadas, que facilitaram a comunicação através de todo o império e os aquedutos, que levavam água às cidades a partir dos mananciais próximos (como Pont du Gard, ano 19 d.C., próximo a Nimes), são os mais extraordinários.
 Os romanos usaram como inspiração a arquitetura etrusca e grega para desenvolver seus projetos. Porém, não podemos falar em cópia, pois a arquitetura romana possuía muitos elementos inovadores e avanços nas técnicas de arquitetura. 

Características principais da arquitetura romana

- Solidez nas construções (característica que herdaram dos etruscos); 
- Uso do arco nas construções; 
- Uso da abóbada (construção em forma de arco que preenche espaços entre arcos, muros e outros tipos de espaços); 
- Construções sóbrias, funcionais e luxuosas
(Fonte da Imagem: umolharsobreaart.blogspot.com.br)

A decoração usada pelos romanos para adornarem as suas construções pautou-se pelo barroquismo, ao preferirem a profusão e o exagero ornamental ao equilibrado e simples sentido estético dos gregos. Utilizaram os elementos gregos tais como colunas, entablamentos e frontões, como meras "peças" decorativas, sem qualquer função estrutural, inovando-as ao alterarem as suas formas e proporções; criaram ainda duas novas ordens: a toscana, semelhante à ordem dórica na sua aparência, mas sem as caneluras no fuste e com uma base circular, e a compósita, um misto da ordem jônica e coríntia, visível no capitel da coluna decorado com volutas e folhas de acanto.


(Fonte da imagem: umolharsobreaart.blogspot.com.br)


Principais tipos de arquitetura romana

  • Arquedutos: Arcos com canaletas que conduziam a água dos reservatórios para as cidades. Eram feitos de pedra e significou um avanço na canalização e distribuição de água na Antiguidade.

Pont de les Ferreres, Tarragona, Espanha - Também conhecida, em catalão, como Pont del Diable, a estrutura tem 249 m de comprimento e é parte do aqueduto romano de Tárraco, que fornecia água do rio Francolí para a cidade de Tarragona, em um percurso de cerca de 15 km. A data de sua construção é incerta, mas cogita-se que tenha sido erguido no século 1º d.C. Funcionou até o fim da Idade Média e, desde o século 18, passou por uma série de obras de restauro. (Fonte da imagem: casavogue.globo.com)

  • Templos: Eram construídos em homenagem aos deuses. Eram luxuosos e bem iluminados. Possuíam apenas um portal de entrada com escada de acesso.
(Fonte da imagem: umolharsobreaart.blogspot.com.br)


  • Arcos de Triunfo: Eram construídos em homenagem aos imperadores, principalmente, para marcar grandes feitos e conquistas. Eram feitos de pedra ou mármore.
  (Fonte da imagem: adriarq.blogspot.com) 

  • Estradas: Feitas de pedra, eram importantes rotas para o comércio e também deslocamento do exército, pois ligavam várias cidades, regiões e províncias. Eram tão resistentes que muitas delas existem até hoje. A mais conhecida foi a Via Ápia.
(Fonte da imagem: peramblogando2.files.wordpress.com) 

  • Banhos Públicos: Prédios destinados aos banhos públicos, que eram espaços com piscinas aquecidas onde romanos das altas classes relaxavam e mantinham contatos sociais.
(Fonte da imagem: meusplanosdeviagem.wordpress.com)

  • Circos e Anfiteatros: Construções destinadas ao entretenimento. Nos circos ocorriam, principalmente, corridas de bigas. Nos anfiteatros ocorriam espetáculos como, por exemplo, os embates entre gladiadores. O anfiteatro mais conhecido foi o Coliseu de Roma.


(Fonte da imagem: pfr1213.blogspot.com)




Arquitetura Bizantina


Império Bizantino tinha sua capital em Bizâncio (atual Istambul - Turquia), nome que precedeu o nome Constantinopla, em homenagem ao imperador romano Constantino, que a fundou como segunda sede do Império Romano, enquanto este chegava à sua decadência.
Após a queda de Roma, Constantinopla foi por quatrocentos anos a maior cidade do mundo e foi a capital do império que resistiu por um milênio, entre os séculos V e XV, enquanto a Europa ocidental vivia o período da Idade Média.

 A arquitetura bizantina caracteriza-se fortemente por mosaicos vitrificados e pelos ícones, que eram pinturas sacras feitas normalmente sobre madeira. O estilo bizantino também tinha como destaque técnicas de construção inovadoras para a época, em especial, as voltadas para a construção de cúpulas, que surgiram por volta do século VI.
O Mosaico foi um tipo de arte muito difundido no Império Bizantino, principalmente durante o reinado do imperador Justiniano de 526 a 565. As imagens em mosaico eram formadas a partir de pequenos pedaços de pedra coloridos, colados nas paredes.


(Fonte da imagem: infoescola.com)

Como boa parte da arquitetura antiga, também a bizantina caracterizava-se pelas obras de cunho religioso. A Catedral de Santa Sofia tornou-se o maior símbolo desse estilo arquitetônico. Outros exemplos das primeiras obras bizantinas são a basílica de São João e a basílica dos Santos Sérgio e Baco. Inspirada e guiada pela religião, a arquitetura alcançou sua expressão mais perfeita na construção de igrejas. E foi precisamente nas edificações religiosas que se manifestaram as diversas influências absorvidas pela arte bizantina. Houve um afastamento da tradição greco-romana, sendo criadas, sob influência da arquitetura persa, novas formas de templos, diferentes dos ocidentais. Foi nessa época que se iniciou a construção das igrejas de planta de cruz grega, coberta por cúpulas em forma de pendentes, conseguindo-se assim fechar espaços quadrados com teto de base circular.

(Fonte da imagem: intensecare.wordpress.com)

Segundo René Guénon, toda construção religiosa possui uma significação cósmica. Este princípio se aplica sem dúvida alguma à arquitetura cristã em geral, e à bizantina em particular.
Aqui chama a atenção na arquitetura bizantina, em especial, o significado místico que se encontra presente em um elemento específico: a cúpula.
Esta, como podemos constatar, não é apenas um elemento arquitetônico decorativo, pois corresponde à concepções estéticas fundamentadas em um simbolismo preciso.
Ela representa o céu e sua base a terra, assim, o edifício completo representa uma imagem do cosmos.

Detalhes da cúpula ou domo da Basílica de Santa Sofia, Istambul, Turquia. Foto de Quincy Dein.


A cúpula é originária da Ásia Menor, cujos povos, que sempre se distinguiam como arquitetos, recorreram ao expediente de suspendê-la sobre uma construção quadrada ou pousaram-na diretamente em construções circulares. Os persas imaginaram outra alternativa, colocando sobre a base quadrada uma cúpula octogonal. A solução encontrada pelos persas para a colocação de cúpula sobre uma construção quadrada foi o abandono da forma circular para base e a adoção da forma octogonal, sobre a qual se erguia a cúpula, já não totalmente redonda, mas facetada em oito "triângulos" curvos.
Os arquitetos bizantinos mantiveram o formato arredondado não colocando o tambor (grande arco circular sobre o qual se assenta a cúpula) diretamente sobre a base quadrada: em cada um de seus lados ergueram um arco, sobre os quatro arcos colocaram um tambor e, sobre este, com simplicidade e segurança, a cúpula. Os arquitetos bizantinos conseguiram apor a uma construção quadrada uma cúpula arredondada, com o uso do sistema de pendentes, "triângulos" curvilíneos formados dos intervalos entre os arcos e que constituíam a base sobre a qual era colocado o tambor.


                                            
                     
 A primeira imagem trate-se de uma cúpula persa e a segunda de uma cúpula bizantina. (Fontes das imagens: valiteratura.blogspot.com)


Arquitetura Românica


A definição da arquitetura enquanto "Românica" se refere às semelhanças existentes entre as construções típicas do final do séc. XI e XII na Europa e as estruturas abobadadas a de grossas paredes de alvenaria dos antigos romanos (séc. I e II). Enquanto no Oriente bizantino e muçulmano a arquitetura se desenvolve de maneira magnificente, no Ocidente o progresso no campo das criações mantêm-se estagnada: falta de tempo, falta de tranquilidade, escassez de recursos. Assistimos a luta inaudita, a procura incansável de um sistema estrutural seguro, de fácil construção e dotado de beleza, que tinha de ser condicionado à realização por via de um material contraindicado sob todos os aspectos: a pedra. A designação “Românica” surgiu no séc. XIX e significava "semelhante ao romano".
A utilização das abóbadas era frequente. A unidade estrutural era composta pelas aduelas, uma série de blocos de pedra em forma de cunhas. O arco vence um vão maior que o lintel (peça dura de materiais diversos), sendo necessário menos suportes, uma grande vantagem para os construtores cristãos que procuravam o mínimo de obstruções internas no interior das igrejas. O arco e a abóbada são os elementos mais importantes do sistema construtivo dessa arquitetura. O arco aumentaria as larguras das passagens entre as colunas, e as abóbadas supriam a deficiência originária das dificuldades de serem cobertas grandes áreas de reuniões e práticas rituais. No início, somente as absides (ala de um edifício que normalmente é religioso) eram abobadadas. O templo românico era uma cruz latina, composta por uma nave (ala central de uma igreja ou catedral onde se reúnem os fiéis de modo a assistirem o serviço religioso) longitudinal e um cruzeiro (local de intersecção dos eixos).

(Fonte da imagem: historiadelarte.webatu.com) 


Dentre as desvantagens da abóbada de berço podemos citar: a distribuição de cargas ao longo de duas linhas paralelas contínuas, produzindo grandes empuxos laterais que deveriam ser eliminados por meio de paredes muito grossas e bem construídas; as colunas eram muito delicadas pois somente suportavam a sobrecarga do telhado; a coluna alta apresenta vários inconvenientes, por isso os arquitetos romanos as construíam grossas e baixas. O resultado era a pouca altura da nave que não permitia que ela fosse bem iluminada, resultando em igrejas muito escuras.

Abóboda de berço e abóboda de aresta (Fonte da imagem: lealuciaarte.blogspot.com)


Outro problema estrutural românico foi a cobertura do cruzeiro que é o quadrado central oriundo do cruzamento da nave central e o transepto (parte transversal de uma igreja que se estende para fora da nave central, formando com esta uma cruz). Na arquitetura bizantina foi solucionado o problema com uma cúpula sobre base quadrada, utilizada com o emprego de elementos de contraventamento. Outra forma de serem anulados os empuxos laterais das abóbadas de berço, era a interseção de duas delas, propiciando a descarga em apenas quatro pontos separados. Assim foi inaugurada nestes templos a chamada abóbada de arestas. Outra novidade foi o contraforte ou gigante, às vezes substituído por tirantes. Os materiais mais diversos eram empregados em diferentes lugares, sendo a pedra o mais preferido, depois o mármore e depois o tijolo. Apesar de ser melhor utilizada em função da liberdade e leveza estrutural, a construção da abóbada de arestas se torna complicada para espaços que não tenham um planta quadrada. Essas duas formas, a abóbada de berço e a abóbada de arestas foram utilizadas na grande maioria das igrejas românicas. Visualmente transmitem a sensação de solidez, calma e repouso, de ausência de esforço ou tensão.

Abóbadas de Aresta em Arcos, próprio do Estilo Românico, pertencente também a um Templo de Médio Porte. (Fonte da imagem: sanctaearchitecture.blogspot.com)


A primeira coisa que chama a atenção nas igrejas românicas é o seu tamanho. Elas são sempre grandes e sólidas. Daí serem chamadas: fortalezas de Deus. A explicação mais aceita para as formas volumosas, estilizadas e duras dessas igrejas é o fato da arte românica não ser fruto do gosto refinado da nobreza nem das ideias desenvolvidas nos centros urbanos, é um estilo essencialmente clerical. A arte desse período passa, assim a ser encarada como uma extensão do serviço divino e uma oferenda à divindade. A mais famosa é a Catedral de Pisa sendo o  edifício mais conhecido do seu conjunto  o campanário que começou a ser construído em 1174. Trata-se da Torre de Pisa que se inclinou porque, com o passar do tempo, o terreno cedeu.

Catedral e Torre de Pisa (Fonte da imagem: megacurioso.com.br)

  O período românico foi de transição. Os templos pediam mais luz, maiores proporções e mais inspiração. A tradição românica não falava a favor de grandes alturas e nem de paredes delgadas, vazada por grandes aberturas, uma vez que se apoiavam em um sistema de arcos a abóbadas solicitadas a violentíssimos esforços. Era necessário substituir ou aperfeiçoar aqueles dois elementos medulares, que eram o arco e a abóbada, que foi finalmente conseguido escorando-se lateralmente o arco por outro arco (arco botante) e reforçando-se as arestas das abóbadas com nervuras, que na realidade passam a suportar todo o peso da cobertura. Estas nervuras descarregam em vários pilares ou colunas finas que rodeavam uma mais larga, que suportava maior carga, resultando na esbeltez dos feixes góticos de varas de pedra.

Fachada românica da Sé Velha de Coimbra (Fonte da imagem:snpcultura.org)


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