Dando continuidade a nossas visitas técnicas, visitamos Campinas acompanhados pelo guia Edy, que nos passou informações valiosas sobre a cidade. A
área em que hoje se acha instalada a cidade de Campinas, conta com pouco mais
de 260 anos de história colonial/imperial/republicana e com milhares de anos de
história indígena. Nos marcos de sua formação colonial, a cidade de Campinas
surgiu na primeira metade do século 18 como um bairro rural da Vila de Jundiaí.
Localizado nas margens de uma trilha aberta por paulistas do Planalto de
Piratininga entre 1721 e 1730 (trilha que seguia em direção às
recém-descobertas minas dos Goiases), o povoamento do "Bairro Rural do
Mato Grosso" teve início com a instalação de um pouso de tropeiros nas
proximidades da "Estrada dos Goiases". O pouso das "Campinas do
Mato Grosso" (erguido em meio a pequenos descampados ou
"campinhos", em uma região de mata fechada) impulsionou o
desenvolvimento de várias atividades de abastecimento e promoveu uma maior
concentração populacional. No mesmo período
(segunda metade do século 18), ganhava forma também uma outra dinâmica
econômica, política e social na região, associada à chegada de fazendeiros
procedentes de Itú, Porto Feliz, Taubaté, entre outras. Estes fazendeiros
buscavam terras para instalar lavouras de cana e engenhos de açúcar, utilizando-se
para tanto de mão de obra escrava. De fato, foi por força e interesse destes
fazendeiros, ou ainda, por interesse do Governo da Capitania de São Paulo, que
o bairro rural do Mato Grosso se fez transformado em Freguesia de Nossa Senhora
da Conceição das Campinas do Mato Grosso (1774); depois, em Vila de São Carlos
(1797), e em Cidade de Campinas (1842); período no qual as plantações de café
já suplantavam as lavouras de cana e dominavam a paisagem da região. Os
cafezais, por sua vez, nasceram do interior das fazendas de cana, impulsionando
em pouco tempo um novo ciclo de desenvolvimento da cidade. A partir da economia
cafeeira, Campinas passou a concentrar um grande contingente de trabalhadores
escravos e livres (de diferentes procedências), empregados em plantações e em
atividades produtivas rurais e urbanas. No mesmo período (segunda metade do
século XVIII), a cidade começava a experimentar um intenso percurso de
"modernização" dos seus meios de transporte, de produção e de vida,
permanecendo vivo até hoje na memória da cidade, aspectos diversos destas
transformações. Com a crise da economia cafeeira, a partir da década de 1930, a
cidade "agrária" de Campinas assumiu uma fisionomia mais industrial e
de serviços. No plano urbanístico, por exemplo, Campinas recebeu do "Plano
Prestes Maia" (1938), um amplo conjunto de ações voltado a reordenar suas
vocações urbanas, sempre na perspectiva de impulsionar velhos e novos talentos,
como o de pólo tecnológico do interior do Estado de São Paulo. No mesmo percurso,
a cidade passou a concentrar uma população mais significativa, constituída de
migrantes e imigrantes procedentes das mais diversas regiões do estado, do País
e do mundo, e que chegavam à Campinas atraídos pela instalação de um novo
parque produtivo (composto de fábricas, agro-indústrias e estabelecimentos
diversos). Entre as décadas de 1930 e 1940, portanto, a cidade de Campinas
passou a vivenciar um novo momento histórico, marcado pela migração e pela
multiplicação de bairros nas proximidades das fábricas, dos estabelecimentos e
das grandes rodovias em implantação - Via Anhanguera, (1948), Rodovia
Bandeirantes (1979) e Rodovia Santos Dumont, (década de 1980). Estes novos
bairros, implantados originalmente sem infra-estrutura urbana, conquistaram uma
melhor condição de urbanização entre as décadas de 1950 a 1990, ao mesmo tempo
em que o território da cidade aumentava 15 vezes e sua população, cerca de 5
vezes. De maneira especial, entre as décadas de 1970/1980, os fluxos
migratórios levaram a população a praticamente duplicar de tamanho. Tal vigor econômico e social, trazido em especial pela
ampliação de sua população trabalhadora, tem permitido à Campinas constituir-se
como um dos pólos da região metropolitana de São Paulo, formada por 19 cidades
e uma população estimada em 2,33 milhões de habitantes (6,31% da população do
Estado).
Imagem retirada do Tumblr campinaspb
Nessa viagem executei a função técnica que
consistia em servir o bordo líquido, ou seja, servir água, suco e refrigerante
aos passageiros na hora em que voltávamos; e apresentei sobre o Bosque dos
italianos (ou Praça Samuel Wainer), que surgiu nos planos do município em 1927,
na proposta de loteamento do Jardim Chapadão, uma área que fazia parte da
antiga fazenda Chapadão de propriedade do Sr. Otaviano Alves de Lima. A doação
deste terreno à municipalidade, no entanto, só ocorreu em 1960, denominando-se
na ocasião de “Parque 1” do loteamento Jardim Chapadão. Em dezembro do mesmo
ano, o Bosque foi denominado Praça Samuel Wainer. Por muitos anos, esta área
coberta de densa vegetação arbórea, arbustiva e forrageira abrigou o “Recanto
Infantil n.1” que, por dificuldades diversas, foi fechado para reformas em 1972
e extinto em 1977. A partir daí, com a proposta de criação de um novo espaço de
lazer com a preservação e manutenção integral da mata nativa, o Departamento de
Parques e Jardins propor um projeto de reurbanização da área, à semelhança do
Bosque dos Alemães. Ainda no final da década de 1970, o Bosque dos Italianos
recebeu equipamentos de recreação e um conjunto de ações destinadas à
preservação e manutenção da mata, entre eles a construção de novo sistema de
drenagem. Em 1985, também foi inaugurada a Biblioteca Infantil Monteiro Lobato.
A Biblioteca sempre bastante frequentada por crianças, estudantes de ensino
médio, chegaram a 11.000 por ano, de acordo com informações da administradora
da Biblioteca. O Bosque dos Italianos constitui-se
em uma importante área de conservação de mata nativa no coração da cidade de
Campinas. Situa-se na Rua Dr. Miguel Penteado,
s/nº, no Jardim Guanabara, e funciona das 6h às 18h.
Imagem retirada do blog lugareseseuspasseios

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